Acolhimento e sororidade: o poder das mulheres nas vidas umas das outras

 O que é sororidade? Muito mais do que apenas a união,como bem disse o portal Catarinas, é um pacto social, ético e emocional construído entre as mulheres. Laços que fazemos partindo do ponto que entendemos que juntas, somos mais fortes e que só a partir dessas alianças conseguiremos alcançar nossos objetivos em comum. No momento que deixamos de nos ver como inimigas e passamos a nos defender, nos aceitando como irmãs e companheiras de luta. E vamos ser sinceras, quantas lutas…

     Sororidade é um termo muito utilizado no feminismo moderno. Mas acho que muitas vezes se banaliza a importância e a força do que significa. Hoje em dia é tão fácil ser uma coisa nas redes e agir de outra maneira na nossa vida pessoal. Criamos personas, escrevemos textões, mas nos livrarmos do machismo imposto pela sociedade patriarcal em que fomos criadas e que cria abismos, um senso de competição e desconfiança entre mulheres é um trabalho diário, árduo. 

     Eu fui aprender e entender o que era sororidade de verdade, já adulta, graças a amizade de mulheres maravilhosas que a vida colocou no meu caminho e me acolheram cada uma de sua forma. Me ensinaram e me incentivaram a continuar a minha busca, porque até hoje sigo nela. Mas é preciso ressaltar a importância do poder do acolhimento, da conversa, da empatia, quando hoje em dia todo mundo só parece querer dar lacre. Essas mulheres me mostraram onde eu estava errando, me ouviram, abraçaram, choraram, riram comigo e pela primeira vez senti um espaço seguro. O que é algo tão difícil de se encontrar. 

      Hoje, uma dessas mulheres está passando uns dias aqui em casa. Faz cinco anos desde que nos conhecemos em um bar e a sua risada me contagiou. Ela me viu passar por um relacionamento abusivo e inúmeros empregos. Eu a vi mudar de cidade e decidir tomar um novo rumo na sua vida, hoje nos vemos menos, mas sempre é uma alegria, e sempre, não importa o que aconteça, sei que posso contar com ela e vice versa. Ela é uma das mulheres da minha rede de apoio. Onde eu encontro razão, verdade, carinho, humor, força e sororidade no sentido mais puro. 

     Minha caminhada no feminismo é de iniciante. Mas minha caminhada como mulher, como sobrevivente, é longa e marcada por resistência, pela sorte de ter encontrado pessoas que fizeram a diferença em momentos cruciais e a compreensão de entender que acolhimento e empatia são princípios fundamentais e poderosos. E que assim como foi crucial na minha caminhada esse movimento, levantar, apoiar e incentivar outras mulheres é meu dever. 

     Só quando construirmos uma aliança forte o suficiente, onde todas se sintam seguras e amparadas, de maneira interseccional e horizontalmente, nos entendendo e nos apoiando nas diferenças, poderemos nos chamar de irmãs de verdade. 

     Que mulheres fazem parte da sua rede de apoio?

Clube do Livro: O Corpo dela e Outras Farras

Assim que pensei na criação do blog e nos assuntos que queria falar, livros imediatamente me vieram a cabeça. Adoro ler. Tem épocas que consigo menos do que gostaria, mas ultimamente tenho tirado um tempo (afinal são literalmente tantas coisas nos chamando de todos os lados) para me dedicar a um livro e uma aventura nova.

Mas eu não queria fazer uma simples resenha e colocar uma pontuação de estrelas. Invés disso, prefiro fazer um convite. Eu estou atualmente no meio do livro O Corpo dela e Outras Farras de Carmen Maria Machado, que sugiro seja o primeiro do NOSSO Clube do Livro.

Carmen Maria Machado já foi publicada pela New Yorker, NPR, Best Women’s Erotica, Tin House, Guernica, Eletric Literature entre outros. Americana, filha de imigrantes latinos, foi finalista do Natinal Book Award por seu trabalho em O Corpo dela e Outras Farras.

Envolvente e extremamente bem construído. Uma narrativa que vai amarrando cenários, pontos, parágrafos e te enlaça no meio de tudo. 
Seja no primeiro conto, o ótimo “O Ponto do Marido”, onde além de nos enredar no seu rico universo de fábulas e histórias sobre noivas(temos que concordar que historicamente falando elas sempre se dão mal), casais que fizeram a escolha errada na beira de um rio, armas afiadas escondidas em doces de Halloween, ela narra sobre o desejo e a entrega em uma relação. Passando pela cumplicidade na formação de uma família, mas lembrando da importância de se ter algo só seu, mesmo que a outra pessoa não entenda. Dos limites que muitas vezes deixamos se perderem e com isso nos perdemos no caminho. 
“Inventário” é uma lista sincera que fala sobre os encontros sexuais da personagem, detalhando os que foram mais gentis, desconcertantes, com homens, mulheres, ambos; o nível de lembrança e impressão que deixaram, a intimidade, o perigo em certos casos, a intimidade conquistada, a tristeza ou decepção, corações partidos, enfim. Uma lista de quem viveu e está colocando tudo em ordem. A pergunta que fica no ar aqui, mas o livro responde é o motivo…
“Mães” me pegou de surpresa. Quando ela diz “eu te amo e não vou te machucar”, mas afirma que ambos são mentiras, e está dizendo aquilo apenas numa tentativa de acalmar o bebê e a si mesma, reconhecendo a distância entre as duas… me peguei torcendo por elas. E a cada grito, cada noite mal dormida, cada dificuldade, cada vez que o tempo passou e foi mais rápido, eu devorei as linhas sobre a vida da Mara, que deixou de ser só “a bebê” e ganhou, enfim, um nome. E que bonito, a cumplicidade, a força, o amor presente em cada uma dessas linhas.  Sim, uma história sobre amar para caralho alguém que você acaba de conhecer. Sobre ser mãe ou mães, e tudo o que isso significa. Real, forte, de dar nó no peito, colocar sorriso no rosto e no canto do olho. Emocionante. 

Moderno, honesto, prazeroso, acredito no poder do livro de Carmen e faço um convite para que se juntem à mim. Me digam o que acham deste e dos outros trabalhos dela. Se tem alguma sugestão para o Clube do Livro do mês que vem. Estou sempre disposta e ansiosa para ouvir!

E fica a pergunta, qual o último livro que você leu?

Setembro Amarelo: está tudo bem não se sentir bem

Estamos em pleno Setembro Amarelo, pra quem não sabe, uma campanha do Centro de Valorização da Vida iniciada em 2015 em todo Brasil de prevenção ao suicídio. Por isso vamos falar de felicidade compulsória, entre outras coisas.

Bom, basta rolar pelo seu feed e você vai ver muitas fotos felizes, hashtags positivas ou que tratam a existência de um momento ruim como algo de outro planeta (ou melhor da vida de qualquer um menos da sua). Ninguém quer falar, admitir ou abrir um diálogo real sobre não estar tão bem assim. Afinal, isso não é coisa de gente bem sucedida. Não gera likes. Você tem direito a ficar mal um dia, mas no outro é melhor postar uma foto numa paisagem paradisíaca ou com seu pet bem fofo, lembrando a todo mundo que aquilo foi passageiro.

A pressão para sermos perfeitos, termos vidas incríveis, tira a autenticidade das experiências e cada vez mais as pessoas da nossa geração reclamam que já não sentem prazer nessa corrida motivada por resultados e comparações.

Corpos. Empregos. Relacionamentos. Casas. Viagens. Filhos. Tudo é colocado em display num concurso sem fim nem medalhas. Apenas uma tentativa insana de provar o quão feliz você é, mesmo que por dentro esteja desmoronando. Como falar sobre dor, solidão, se até isso as pessoas querem julgar? O setembro pode ser amarelo, mas a depressão, assim como os diversos motivos que levam alguém a considerar o suicídio tem diversos tons. Impossível colocar numa caixa, medir, comparar. Aliás, a primeira coisa a se entender é que dor NUNCA se compara. Precisamos ter mais empatia.

Parar com esses #goodvibesonly e oferecer espaços seguros onde as pessoas possam de verdade se sentir à vontade para conversar, trocar, pedir ajuda. Ninguém vive só de goodvibes nem de bad. É importante passar e reconhecer as mudanças, e acolhê-las. A vida não se resume a um bom filtro de Instagram. E definitivamente não se resolve com ele, não importa o quanto queiramos. Então, que tal fazer um esforço real nesse mês? Nem romantizar o sofrimento com fotos bonitas para ganhar atenção nem ostracizar os que podem estar num momento difícil. Só através da sinceridade e de mostrarmos nosso lado mais vulnerável que tantas vezes fica perdido em meio a tantos artifícios, vamos conseguir promover mudança.

Fale com um amigo. Ouça. Pergunte. Esteja mais presente na vida de quem você conseguir. De verdade. Nem sempre vai ser fácil. Mas vale a pena. Porque em geral, as pessoas que realmente estão precisando de ajuda, nem sempre conseguem pedir essa ajuda. E não deixe só pra setembro.

Síndrome de Fleabag

Perder-se também pode ser o caminho, ou pode ser só uma desculpa para não enfrentá-lo…

Mas vamos começar do começo. Você já assistiu Fleabag? A série escrita, dirigida e estrelada pela brilhante Phobe Waller Bridge que interpreta a personagem do título, em sua busca por entender e conseguir equilibrar controle no seu dia a dia. A série está em sua segunda temporada e pode ser vista na Amazon. Com diálogos inteligentes, bem construídos, situações que lidam com dramas familiares, ser uma mulher adulta sem saber navegar ou não querer navegar tão bem as convenções, perda, luto, amizade, sexo casual (bom, ruim, entediante, com direito a comentários da protagonista que sempre quebra a quarta parede e nos dá sua opinião).

Fleabag sempre nos aproxima e nos traz pra dentro do seu mundo e da sua cabeça, um lugar nem sempre fácil de estar, mas isso é parte do apelo. Ame-a, odeia-a, mas é irresistível assistir. E de certa forma se identificar. É humano, e a falta de excessos em cenários, figurinos, deixa ainda mais nítido o quão brilhante a atuação e o roteiro são. Você sente que de alguma forma já viveu aquelas situações, teve aqueles jantares em família, ou conhece uma família como aquelas… é íntimo e ao mesmo tempo, escancarado para o seu prazer naquela meia hora.

Enquanto jura que está no comando dos homens em sua vida, do álcool que consome, das escolhas que faz, suas escolhas vão revelando sua vulnerabilidade, e o lado que ela tenta tanto esconder, mas que nós, como espectadores recebemos acesso. Um retrato muito bem construído do que é tentar se convencer de estar no controle quanto você mesma está do avesso e precisa se apegar a algo.

E seja porque você se identifica ou não, porque quer ser amiga dela ou nunca se imaginaria com alguém do tipo, é muito importante uma série com uma protagonista mulher cujo foco é algo mais do que se apaixonar e que tem complexidades, imperfeições, sentimentos, profundidade, relações e aspirações que vão além de ser uma manic pixie girl.

Fleabag é apaixonante. Ácida, frágil e forte ao mesmo tempo, do tipo “foda-se, vou usar a mesma roupa ” mas que capricha no batom vermelho. Vai ligar bêbada numa terça pro contatinho e se não tiver afim quando ele chegar, deixá-lo do lado de fora. É livre e prisioneira da sua própria liberdade. Em queda livre, um poço de contradições. Mas vale cada segundo!

E você? Já assistiu? Ou tem alguma outra série que é o seu vício?

Precisamos conversar.

Eu tinha catorze anos e estava no primeiro ano do Ensino Médio, em um colégio novo, quando no primeiro semestre anunciaram que haveria uma viagem para as Cidades Históricas de Minas. Eu lembro de ter ficado animada. Nessa idade, viagens em grupo sempre são divertidas; era uma oportunidade para eu conhecer mais gente (mesmo que tivesse entrado com alguns amigos de outro colégio, e até professores da minha antiga escola dessem aula lá ). Na real, eu me sentia bem a vontade, mas o que é bom sempre pode ficar melhor, ou eu pensava.       

Aos 14 anos, na verdade durante a adolescência, somos tão jovens e ingênuos em relação a uma porrada de coisa, apesar de termos certeza que temos o mundo pelas bolas … Talvez alguns de nós tenham uma maturidade acima de seus anos, mas independente, você nunca vai saber ou estar preparado para lidar com tudo . E eu fui entender isso de maneiras dolorosas ao longo do tempo, depois de processar muita coisa que aconteceu nessa época. Uma delas tendo sido um episódio que lá atrás, do alto dos meus 14 anos e de achar que entendia o que tinha acontecido, não ter achado nada sério até uma amiga minha contar pra sua mãe e ver a revolta que provocou nela. Não lembro se ela chegou a ir ou não ao colégio tirar satisfações, mas sei que aquilo acendeu um alerta em mim. O primeiro de muitos que viriam a se acender ao longo dos anos seguintes.     

Eu havia sentido um incômodo inicial, mas estava tão acostumada a não reclamar pra não ser a “fresca”, a”chata”, a “que não sabe brincar”, coisas tão comuns que usam desde cedo para nos calar quando repreendemos o comportamento masculino.      

Algumas coisas nessa viagem foram esquisitas. O incidente em si,do qual eu fui a primeira vítima e foi repetido com TODAS as alunas da viagem, simulava uma bronca/conversa atraindo a aluna até o quarto dos 3 professores, que neste momento apagavam a luz e começavam uma zona. A única coisa que senti foi o corpo do professor que já havia me dado aula em outro colégio caindo sobre mim e uma tentativa desengonçada de cócegas ou sei lá o que. Enquanto os outros dois se aproximavam no escuro. Chutei, soquei, xinguei e acho que entenderam que eu não estava encarando como uma brincadeira.      

Quando acenderam a luz, levantei da cama em busca de sair e ainda tive que ouvir pedirem que não estragasse a brincadeira para as outras meninas. Cheguei confusa no meu quarto, obviamente contei, mas minhas amigas pareciam achar normal. Bobo, mas  engraçado. E uma a uma, todas foram passando pelo quarto. Não falei mais nada.       Fiquei doente na viagem.       

Durante anos repeti pra mim mesmo que, pelo menos, foi o professor que eu conhecia desde pequena, que foi pajem do casamento da minha mãe, que se jogou em cima de mim e me encostou. Ele claramente, NUNCA, teria nenhum motivo escroto. Mas a gente cresce e começa a ver as coisas por um outro prisma: não importa o motivo, ele nunca deveria ter se colocado nessa situação de ser um homem de 26 anos se jogando a força e no escuro em cima de uma menina de 14, sua aluna, pra fazer “cócegas”, enquanto outros dois homens adultos e mais velhos vem “ajudar”.    

Isso não é certo. É impróprio de diversas maneiras. Abusivo. Invasivo. Se aproveitar da confiança, usar o poder e a influência de adultos e professores para atrair meninas para dentro de seus quartos. Eles estavam ali para nos proteger, cuidar, foi essa a promessa que fizeram para todos os pais antes de nos levarem.          

Acho que o que mais me machucou e tornou tudo mais difícil de entender, é que a pessoa que eu achava que tinha me protegido, foi quem na verdade me feriu. Talvez até sem se dar conta. Afinal, os homens são mestres nisso. Tão acostumados desde cedo com uma sociedade que passa pano e raramente os culpabiliza e exige alguma reparação séria nesse tipo de assunto.

Por isso eu escrevo. Este incidente pode ter sido só um dos que eu não gostaria que tivesse acontecido comigo, mas aconteceu, e me mudou de diversas maneiras. A única coisa boa que tirei de tudo, foi que sim, precisamos conversar.

Precisamos falar sobre como o Brasil trata suas mulheres, jovens e crianças. Com um número alarmante de assédio sexual, a falta de diálogo e julgamento só contribuem para aumentar a masculinidade tóxica, e dificultar o já doloroso processo das vítimas que decidem ir à justiça e são constantemente desacreditadas ou atacadas.

      Quando é a idade ideal para se discutir assédio, responsabilidade, consentimento, limites?     

O começo.

A primeira vez a gente nunca esquece

    Oi, você ainda não me conhece e seria injusto pedir um tempo, como na vida normal, para que me conheça e quem sabe venha a gostar ou não do que tenho a dizer.

    Aqui, agora, no digital, tudo acontece de uma maneira tão acelerada. Consumimos séries inteiras em um único final de semana; escutamos um álbum no repeat, apaixonados, entusiasmados mas o fogo queima até o próximo grande álbum ou descoberta. Não vou nem falar de moda… as fast fashions continuam velozes e furiosas sem se importar com o impacto que tem no meio ambiente e no tecido social. A tentativa do “aluguel de roupas” da Urban Outfitters, chamada de Nuuly, onde você paga de $89,99 a $800 por uma caixa com itens escolhidos de acordo com seu estilo e depois de um tempo pode devolver ou ficar com eles, fala muito mais sobre sua real motivação: continuar vendendo, se escondendo atrás de uma opção “mais consciente” e menos consumista, embora tudo o que querem no final do dia é ver você comprar.

Algumas marcas vem à mente quando falamos sobre usar a ética, o consumo consciente e até as pessoas envolvidas no processo como parte do apelo da marca em seu branding… para logo em seguida ser revelado que não passava de mais uma jogada de marketing. Mais um jeito de fazer dinheiro das pessoas; seja as que trabalham lá e sofreram assédio moral, racismo, gordofobia e tudo o que muitas vezes acontece em marcas de moda, desde pagamentos atrasados, condições precárias de trabalho, racionalização de papel higiênico… e claro, a quebra de confiança do cliente, que busca por opções sérias, éticas, mais humanas de se fazer e comprar moda.

É a era da conscientização mas nunca estivemos tão egoístas, tão ensimesmados, presos em nossas bolhas com celulares, apps que te ajudam a meditar, a malhar, a se conectar sem precisar criar conexões que escapem da tela. Uma curadoria da sua vida que passa a imagem que quiser com uma variedade de filtros a seu dispor que nunca mencionam os problemas de família que você está vivenciando, a briga que teve ontem a noite com seu parceiro depois de uma garrafa de vinho a mais ou que todas as plantas que cultiva não são só porque você quer uma selva urbana, mas ultimamente é mais fácil lidar com elas do que com gente. Mas com o ângulo e a luz certa você garante uma foto da parte da sua vida que quer mostrar. E por que mostrar? Por que dividir?

     Assim quando como me sentei de frente para esta página em branco ( a pior e a melhor coisa para qualquer pessoa que escreve), pensei nos motivos de dividir meus pensamentos, angústias, dúvidas, curiosidades, descobertas, aprendizados, erros, inseguranças… e a única coisa que me vinha à mente é que vivemos tão conectados e a solidão nunca pareceu maior. E existem histórias e pensamentos que precisam ser compartilhados, para que possamos trocar, nos identificar, falar de experiências totalmente distintas, a fim de dialogar. Nunca pensei em fazer isso como um blog, a ideia inicial era outra que não se realizou, mas fico feliz de começar aqui, na página em branco, onde posso ser eu, sem filtros, sem freios, só vontade e ideias que espero aos poucos ir dando forma.

     Sei que é muita coisa para digerir, como disse no começo, é até injusto pedir um pouco do seu tempo quando você já tem provavelmente mil coisas rolando na sua vida pessoal, do trampo pra resolver, aquela(s) série(s) da Netflix

que precisa colocar em dia, ler os artigos que separou para ler depois e ainda não teve chance, terminar o livro que comprou, isso tudo se você não tem filhos, porque aí acrescenta todos os cuidados necessários por um outro ser humaninho nesse job 24h/dia que não termina e que é tão subestimado… Mas injusto ou ingenuidade minha, eu vou pedir.

    Não vou falar “leia quando sobrar aquele tempo”, porque nunca sobra e a gente sabe. Leia como e quando der: no metrô, naquela fila gigante que faz você querer bater seu carrinho em todo mundo e deitar no chão do supermercado, no banheiro (quem nunca?!?), enquanto espera uma consulta marcada (por algum motivo elas sempre atrasam)… O que estou dizendo é que se quiser, talvez no meio de tudo encontre uma brecha, e nesses encontros, quem sabe venha a gostar do que tenho a dizer. E aí, talvez você também tenha, mesmo que seja que não concorda ou que detesta como eu escrevo. Mas hoje, tudo o que quero é te pedir um pouco do seu tempo, e acredita  sei que isso vale mais do que dinheiro (apesar de infelizmente não dar pra pagar boleto). Pensa a respeito. Com carinho, com vontade.

    Se você chegou até aqui neste texto, (você ganhou a estrela púrpura da paciência…)e talvez também esteja buscando algo diferente, apesar dos milhares de blogs, de estrelinhas do Twitter, de Youtubers… e assim como eu se sinta meio perdida com todo o ruído.         

     Sou criadora e consumidora ávida de todo tipo de conteúdo e acredito que isso me ajuda a crescer e aprender muita coisa. Mas chegou a hora de criar conteúdo no qual eu acredito.

     Hoje dou este primeiro passo e início essa nova jornada. Convido todos que estiverem dispostos a embarcar.

Foi Anaïs Nin que disse: ” Eu sinto prazer nas minhas transformações. Eu pareço quieta e consistente, mas poucos sabem quantas mulheres existem em mim”.     

       Prazer,

               Débora

 

 

Imagem: Crédito Vero Romero – Hollywood NDAs