Promising Young Woman

Promising Young Woman, ou Jovem Mulher Promissora, é um filme incrível, mas mais do que tudo, necessário. Uma fantasia de vingança, ou melhor, justiça levada ao extremo dos extremos.

      Imagine humilhar os caras que dizem coisas vulgares e ofensivas enquanto mulheres andam na rua cuidando de sua vida, simplesmente porque podem. Esfregar na cara de homens que se “acham” um dos caras legais o quão escrotos eles podem ser, dada a oportunidade de se aproveitar de alguém em uma situação vulnerável. Oferecer ajuda por interesse e realmente ajudar são coisas bem distintas, que muitos homens parecem não saber ou não ter interesse em entender a diferença. E o que falar de consentimento?  

     Com humor ácido, trilha-sonora recheada de hits, a estética do filme, quase sempre em cores “fofas”, tradicionalmente femininas, pastéis, serve como uma moldura para a ação que se desenrola. O que você faria para vingar alguém que ama? Onde fica o limite?

      Violência, tortura psicológica e diversão a parte, o filme é inteligente em mostrar o que acontece quando uma mulher decide inverter os papéis e se tornar a predadora.

      É refrescante para nós, que sempre fomos criadas para sermos boas garotas, não nos colocarmos em situações vulneráveis ou estaríamos convidando o perigo, ver uma protagonista que usa todos esses clichês misóginos e errados, para justamente exercer sua vingança e realização pessoal.

     Carey Mulligan está perfeita como a perturbada e determinada protagonista que após o suicídio de uma amiga que foi sexualmente abusada e desacreditada, decide dar aos homens um pouco do próprio veneno.

       No Brasil, a cada 11 minutos, uma mulher é sexualmente agredida. Estatisticamente 1 em cada 3 mulheres sofreram ou vão sofrer algum tipo de agressão sexual. Imagine quantas infâncias, vidas, carreiras, sonhos, futuros não serão estilhaçados. Quantas jovens mulheres promissoras não perdemos? É importante mostrar que se reconstruir depois de um trauma desse tamanho é um processo longo, doloroso e não linear. Mas é possível.

      Reconhecer o assédio institucionalizado na nossa sociedade, a necessidade de mudança nas criações de meninos e meninas, equilibrar a balança, educar e emponderar as mulheres é necessário e são passos para um futuro um pouco menos assustador.

      Mas o filme entretém a possibilidade de não termos que esperar tanto. De fazermos justiça com as próprias mãos. Tratarmos do trauma através de terapia intensiva na forma de vingança. E apesar de ser apenas um filme, é extremamente satisfatório, relevante e esperto.

     Durante pouco mais de uma hora, são os homens que devem ter medo. E isso pode não ser o correto, mas é muito bem vindo. E merecido.

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