Matilda Inquieta

Nascido da necessidade de ser e estar presente em linhas e palavras que dão vida e sentido a desejos e sensações que às vezes, só ali, encontram espaço e sentido.

Amor e armários mágicos

Minha aventura na Feira do Livro 2023

Tem certas coisas que dão um quentinho no coração. Ler, sempre foi uma dessas coisas para mim. Sou apaixonada por histórias. Não tinha como ser diferente numa família como a minha. 

Existem mil maneiras de contar e ouvir, mas a minha favorita, o meu primeiro e maior amor, é o livro. Seja com cheirinho de novo ou antiguinho, surrado com notas nas bordas que alguém, em algum momento, deixou ali como um mapa pra você seguir.

Estar na segunda edição d’ A Feira do Livro, que aconteceu dos dias 7 a 11 de junho na Praça Charles Miller, foi motivo de comemoração e esperança.

Depois de anos onde a cultura, como um todo, foi sucateada, desrespeitada e menosprezada, ver um evento desse tamanho, com mais de 144 expositores e um público de 35 mil pessoas comparecendo ao longo dos 5 dias de feira, dedicada à literatura e aos amantes dela, foi inspirador.

Com o palco principal aberto para o público e painéis de discussão que contavam com nomes como Patrícia Hill Collins, Itamar Vieira Jr, Bob Wolfenson, Fatima Daas, Ginevra Lamberti e Jericho Brown entre muitos, a feira já pode ser considerada um sucesso.

Conhecer iniciativas como a CPL, que dá suporte e ajuda na divulgação do trabalho de autores periféricos é incrível. 

Ter a oportunidade de comprar de pequenas editoras, fomentando seu trabalho, conhecer novos nomes da literatura brasileira e mundial, é um privilégio. 

Eu, que tinha ido sem pretensões ou planejado grandes compras, saí de lá com 7 livros dos temas mais variados: edições com super desconto da Taschen contemplando o trabalho de designers que amo como Raf Simmons e Rick Owens além dos instigantes Mandíbula, O desejo dos outros: uma etnografia dos sonhos Yanomami, O homem do sapato branco e Os supridores , que mal posso esperar pra ler. 

Enquanto andava pela feira, entrando em todos os estandes e voltando várias vezes, aproveitando cada segundo ao máximo, me lembrei de quando era pequena e ia a feiras de livros com a minha mãe, que foi a responsável por despertar essa paixão em mim. Para escrever bem, é preciso ler, ela dizia. 

Como o armário de Nárnia, que descobri ainda criança, os livros são um passaporte para viagens, seja por mundos desconhecidos ou pela história do nosso. Possibilidades, encantamento, crítica, questionamento, conhecimento.

Em tempos de multi telas, estímulos incessantes, streamings e conteúdo que não acaba, ver tanta gente reunida para celebrar e comprar (sim, porque essa é uma parte importante para manter viva a literatura!) livros dos mais distintos gêneros, foi emocionante. Ver uma nova geração, se apaixonando, como um dia me apaixonei, é bonito demais.

Que seja a segunda de muitas por vir. A Feira do Livro já tem um lugar especial no meu coração.

Uma resposta a “Amor e armários mágicos”

  1. lindo texto ❤

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